Saturday, May 03, 2008

Embarcações devem seguir regras
João Campos

Assim como o tráfego terrestre e aéreo, o trânsito aquaviário tem regras para manter a segurança de embarcações e tripulantes. Respeitar os limites de velocidade e fazer uso dos equipamentos de segurança e de sinalização evitam tragédias. A fiscalização das atividades nos 111km do Lago Paranoá é dividida entre a Companhia de Polícia Militar Ambiental (CPMA) e a Marinha. Ambas seguem a Normam 3, conjunto de regras elaboradas pela Diretoria de Portos e Costas para navegantes amadores de esporte ou recreio.

A frota náutica do DF, que inclui as de Goiás, é a terceira maior do Brasil. Só perde para a do Rio de Janeiro e a de Santos (SP). São 40 mil embarcações: 20 mil em Brasília. Em 2007, foram registrados três acidentes no Paranoá. A média é de 60 ocorrências por mês. A maioria está relacionada com o consumo de álcool e falta da documentação obrigatória.

A CPMA cuida do patrulhamento ordinário, como a autuação de condutores embriagados. A fiscalização da Marinha é administrativa. Os militares checam as permissões para dirigir veículos aquáticos e o cumprimento das normas de segurança. “Trabalhamos em conjunto 24 horas. Também combatemos os crimes ambientais”, explica o major Alexandre Alves, comandante da CPMA.

O Lago Paranoá, considerado por especialistas um ótimo ponto para navegação e lazer pela sua extensão e profundidade média de 10m, se enquadra na categoria Navegação Interior 1 da Norman 3: “tais como hidrovias interiores, lagos, lagoas, baías, rios e áreas marítimas onde, normalmente, não há dificuldades ao tráfego das embarcações”. “É uma pista em bom estado de conservação, mas, além de ter a embarcação registrada e ser devidamente habilitado junto à Capitania dos Portos, é preciso ter coletes salva-vidas e bóias de salvamento nas embarcações de médio porte”, detalha o delegado fluvial de Brasília, o comandante Jorge Silva Filho,

No caso da navegação noturna, ele ressalta a obrigatoriedade do uso de luzes nas laterais e na popa (parte traseira) da embarcação. “Há uma série de outros itens, mas esses são os cruciais para um navegação com segurança”, observa Silva Filho. Para ele, a lancha envolvida no acidente de quinta-feira estava em acordo com as exigências legais: iluminação, equipamentos de segurança e documentação em dia. “Ainda não se sabe as causa do choque, mas é provável que tenha sido a falta de iluminação do barco de pesca. Atravessar o lago sem luz durante a noite é como atravessar o Eixão de olhos vendados”, compara o militar.

Kit de segurança
Empresário do setor de embarcações e náutico há mais de 40 anos, Ari Lopes Cunha defende o uso de medidas simples para evitar acidentes como o ocorrido há dois dias. “Um kit com um mastro e uma luz 360º — com visibilidade de 3,5km de alcance — resolveria a situação. A grande maioria dos pesqueiros não apresentam nenhuma iluminação, o que é um risco permanente durante a noite”, explica. Segundo Ari, o mastro com a lâmpada e uma bateria elétrica para geração de energia custam, em média, R$ 200.


Correio Braziliense BRASÍLIA – DF
Perigo no céu

Chama atenção o número de acidentes com aeronaves de pequeno porte ocorridos do início do ano até 24 de abril. Na chamada aviação geral, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa) da Aeronáutica registrou 38 ocorrências, número recorde para o período.

Correio Braziliense CONEXÃO DIPLOMÁTIMA
Negócios à parte

Como é comum no Oriente Médio, diferenças e queixumes saem de campo na hora de falar em negócios. É o que mostra a assinatura do acordo comercial entre o Estado judaico e o Mercosul, para o qual o Itamaraty funcionou como pivô. Israel e Brasil têm trocado regularmente visitas em nível ministerial, e ainda no mês passado começaram a sair do papel acordos recém-assinados para cooperação acadêmica, técnica e científica. Um grupo de especialistas brasileiros está a caminho para trocar experiências em assuntos de manejo e reaproveitamento de água, matéria na qual eles esbanjam excelência. (Nós esbanjamos a água propriamente dita...) Também são exploradas oportunidades de negócios no campo militar, em contatos com os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos).

Folha de São Paulo Pentágono lança ofensiva na internet
Sem revelar patrocínio claramente, Defesa dos EUA mantém sites noticiosos no exterior para promover seus interesses
PETER EISLER

O Departamento da Defesa dos EUA está criando uma rede de sites de notícias em línguas estrangeiras e contratando jornalistas locais para escrever sobre os acontecimentos correntes e produzir outras formas de conteúdo que promovam seus interesses e contrabalancem a mensagem de extremistas. Os sites noticiosos foram inspirados em iniciativa semelhante desenvolvida no passado visando os Bálcãs e o norte da África e são parte de uma ação do Pentágono para expandir as "operações de informações" na internet.

A iniciativa não foi revelada publicamente. No caso do iraquiano Mawtani.com, no ar desde outubro, só um link no pé da página revela o patrocínio do Pentágono. À primeira vista, parece um site convencional. Grupos de defesa da liberdade de imprensa dizem que os sites são enganosos e podem facilmente ser confundidos com noticiários independentes.

"O que eles estão tentando é controlar a mensagem, contornando a mídia e apresentando a versão deles diretamente aos usuários; é uma responsabilidade séria informar as pessoas qual é a fonte dessas notícias", diz Amy Mitchell, diretora-assistente do Projeto de Excelência em Jornalismo.

Funcionários do Pentágono dizem que os sites são uma forma legítima e necessária de promover os objetivos políticos dos EUA e rebater as mensagens dos extremistas religiosos e políticos. Eles afirmam ainda que os EUA e seus aliados têm sido superados na batalha por levar informações a audiências do Iraque e outros países.

"É importante conquistar a atenção dessas audiências estrangeiras e informá-las", disse Michael Vickers, secretário-assistente de Defesa para operações especiais e esforços de estabilização.

"Nossos adversários usam a internet em benefício próprio, de modo que temos a responsabilidade de rebater suas mensagens com informações precisas e verossímeis."

América Latina
O Comando Sul das Forças Armadas norte-americanas está criando um site semelhante ao mawtani.com para as audiências latino-americanas. O Comando do Pacífico, que cobre a região asiática, também está interessado em estabelecer um site noticioso, segundo um porta-voz da Marinha.

Em memorando distribuído em meados de 2007, o secretário-assistente da Defesa Gordon England informou todos os comandantes regionais de que o desenvolvimento de sites como esses era "parte essencial da responsabilidade ao formular um ambiente de segurança em suas respectivas áreas".

O conteúdo dos sites noticiosos é redigido por jornalistas locais contratados para escrever reportagens que se enquadrem aos objetivos do Pentágono. Militares ou empresas terceirizadas revisam as matérias para garantir que sejam compatíveis com esses objetivos. Os repórteres só são pagos por trabalhos postados nos sites.

Os sites noticiosos se seguem ao lançamento no ano passado, pelo Pentágono, de uma "iniciativa transregional", com o objetivo de criar "um mínimo de seis" sites noticiosos dirigidos pelos comandos militares dos EUA, segundo notificação do Comando de Operações Especiais a empresas interessadas em operar esses sites.

"Os jovens nas ruas gostam da internet, e essa é a maneira pela qual eles se comunicam, sabem do que acontece no mundo, se mantêm informados. E eles escolhem com cuidado as fontes de notícias que usam", disse o coronel Jerry O'Hara, do Exército. "Temos de estar envolvidos nisso a fim de garantir comunicação efetiva."

"Isso é deliberadamente enganoso e debilita a imagem do jornalismo como observador objetivo", rebate Marvin Kalb, pesquisador do Centro Joan Sorensen de Imprensa, Política e Questões Públicas na Universidade Harvard. Ele aponta que boa parte da audiência que o Pentágono visa atingir vive em regiões do mundo onde as pessoas esperam que as notícias sejam controladas pelo governo. "Somos a exceção, e, infelizmente, tornamo-nos cada vez mais parecidos com o resto do mundo quando agimos assim".
Tradução de PAULO MIGLIACCI



Folha de São Paulo Clinton diz que Brasil tem responsabilidade e honra de preservar a Amazônia
DANIEL BERGAMASCO

Presidente dos Estados Unidos entre 1993 e 2001, Bill Clinton declarou ontem em palestra em Nova York que a floresta amazônica dá ao Brasil, ao mesmo tempo, a "mais dura" responsabilidade sobre o futuro climático do planeta e o "privilégio" de poder assumir o desafio de preservá-la.

Diante da platéia de empresários, políticos e artistas brasileiros, Clinton disse: "Desejo que estivesse aqui ouvindo, e não falando. Porque não há país no mundo que faça mais esforços para encontrar um caminho para desenvolvimento sustentável para salvar o mundo do aquecimento global do que o Brasil (...) Sinto que vocês têm um grande problema [desmatamento], mas têm também uma sorte grande de ter a Amazônia. É uma honra ter a responsabilidade de preservá-la."

A palestra foi parte do 2º Fórum de Desenvolvimento Sustentável, organizado pela ONG Anubra (Associação das Nações Unidas Brasil), do empresário Mário Garnero, da Brasilinvest.

O ex-presidente americano mencionou o fato do álcool de cana-de-açúcar, cuja produção predomina no Brasil, ser mais eficiente que o de milho, comum nos EUA. Contudo, disse ele, é preciso zelar para que a plantação do produto não gere desmatamento.

Em discurso anterior, no mesmo fórum, Paula Dobriansky, Secretária-Adjunta de Estado para Democracia e Relações Globais, cobrou os países emergentes sobre a redução de emissão de gás carbônico. "Não adianta nada só os Estados Unidos cortarem", afirmou ela.


Jornal do Brasil COLUNA GILBERTO AMARAL
Na Antártica/Dia da Vitória
Gilberto Amaral

Na Antártica
Na próxima semana as duas Casas do Parlamento estarão envolvidas em atividades dedicadas ao continente Antártico. O objetivo é trazer mais informações sobre as pesquisas realizadas pelo Brasil na Antártica, que vêm auxiliando no entendimento dos diversos fenômenos climatológicos e vinculados à fauna e flora do Brasil. A programação inclui exposição, seminários, exibição de filme e uma Sessão Solene.

Dia da Vitória
O Dia da Vitória, para os mais jovens, vitória dos aliados contra o nazismo na 2ª Grande Guerra Mundial, dia 8, será revivido no Monumento aos Pracinhas, no Rio de Janeiro. Com a presença do ministro da Defesa Nelson Jobim, do vice-presidente José Alencar e dos comandantes militares, várias personalidades serão condecoradas com a Comenda da Vitória. Os brasileiros fizeram bonito e demonstraram bravura nos combates, principalmente em Monte Castelo.


O Dia Exército de prontidão
De plantão nas matas do Leme para impedir ataques ao Forte Duque de Caxias, militares fazem alerta à polícia para não ser confundidos com traficantes no caso de tiroteio durante a noite
Paula Sarapu

Rio - Para evitar que traficantes refugiados na mata dos morros Chapéu Mangueira e da Babilônia, no Leme, se aproximem do Forte Duque de Caxias, sentinelas do Exército estão em posições estratégicas desde o início da semana. Policiais do 19º BPM (Copacabana) e do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae) chegaram a ser alertados, por telefone, para ter cuidado nas operações e não “confundir” os militares do Corpo de Guarda com bandidos que têm feito da mata campo de batalha desde o dia 21.

O subcomandante do Centro de Estudos de Pessoal do Exército, que funciona dentro do forte, coronel Nilson Rodrigues, disse que “a área militar é sempre reforçada quando há conflitos de gangues”, mas que não há riscos à segurança da base. A área militar na Rua Coelho Cintra, onde ficam as casas de militares sobre o túnel que liga Botafogo a Copacabana, também está em alerta. A polícia afirma que os bandidos invasores chegam e fogem das comunidades por lá.

Há dois dias, os moradores do Leme não escutam tiroteios. O Serviço Reservado do 19º BPM tem informações de que o bando invasor, ligado a José Ricardo Ribeiro Rosa, o Cagado, teria deixado o Morro da Babilônia, tomado dos rivais há cerca de 15 dias. PMs do Gpae continuam ocupando as duas favelas e o bairro está com policiamento reforçado.

Os intensos confrontos têm alterado a rotina dos moradores. Um casal que mora no fim da Rua General Ribeiro da Costa contou que, para chegar em casa, prefere seguir pela Rua Gustavo Sampaio e entrar pela contramão da Rua Anchieta. Tudo isso para não passar em frente à Ladeira Ary Barroso, um dos acessos às favelas.

Já a professora Luciana Almagro, 32 anos, evita cortar caminho na volta para casa, quando sai do Shopping Rio Sul. “Por causa da mata, por onde eles entram e saem da favela, a gente decidiu trocar o caminho. Pegamos mais engarrafamento, mas não subimos pela Coelho Cintra”, disse ela, ao lado da sobrinha Júlia, 8, que está fora de casa desde a invasão. “Ela mora na Ladeira e não quer voltar. Está muito impressionada.”

A estratégia dos taxistas é não passar pela Rua Coelho Cintra — antigo ponto de descanso — em alguns horários. “Qualquer movimento na mata, mesmo durante o dia, já chama nossa atenção. Tenho medo que ‘bonde’ pegue nossos táxis para fugir”, contou F., taxista há 15 anos.


O Estado de São Paulo Pequim constrói base naval nuclear, diz revista
AFP

A China está construindo secretamente uma grande base naval nuclear na ilha de Hanan, no sul do país, revelou ontem a revista britânica de defesa ‘Jane’s’. Em sua última edição, a revista afirma ter conseguido confirmar a existência da base com a análise de fotografias de satélite tiradas pelo DigitalGlobe.

“Pequim parece construir uma importante base naval subterrânea que poderia significar o fortalecimento de suas capacidades estratégicas”, afirma a publicação. Para a revista, o governo chinês quer reforçar o controle sobre a região e defender o acesso a vias marítimas vitais.


O Globo Buscas a piloto de helicóptero recomeçam hoje
Co-piloto é sepultado no Rio. Mau tempo atrapalha o resgate
Dicler Filho

Bombeiros do 26º Grupamento, de Paraty, e mergulhadores do Grupamento de Buscas e Salvamento, do Rio, com auxílio de uma equipe da Capitania dos Portos, realizaram ontem, pelo terceiro dia consecutivo, buscas na tentativa para localizar o piloto Manoel Afonso de Souza Pereira, de 59 anos. A equipe de resgate encontrou pequenos pedaços da fuselagem da aeronave. As buscas terminaram no início da noite, mas serão retomadas na manhã de hoje.

O piloto desapareceu após o helicóptero prefixo PR-IPO, da empresa Cosan, cair no mar na quarta-feira, na Praia de Laranjeiras, próximo a Trindade, a 500 metros da costa de Paraty. O acidente aconteceu quando o helicóptero retornava para São Paulo.

A assessoria de imprensa da Cosan não informou o número exato de passageiros que saíram de São Paulo, na quarta-feira, e foram deixados pela aeronave em um condomínio de luxo na Praia das Laranjeiras. Eles embarcaram na capital paulista.

O corpo do co-piloto Carlos Eduardo Jesus Azevedo, de 58 anos, foi sepultado ontem no Cemitério do Caju, no Rio. Ele foi resgatado na noite de quarta-feira, logo após o acidente.

Segundo a Cosan, os dois pilotos eram cariocas e moravam em São Paulo.

Os destroços da aeronave não foram encontrados pela equipe de resgate. A estimativa é de que o helicóptero poderá ajudar na identificação das causas do acidente, que aconteceu a 500 metros da costa.

As buscas foram reforçadas com um aparelho conhecido como Cyberscan, que possibilita uma varredura no mar, onde a equipe trabalha, ou seja, na Praia de Laranjeiras. Seis barcos são utilizados nas buscas. Os trabalhos de resgate foram prejudicados pelo mau tempo.



O Globo Disputa atrasa criação de novas linhas de barcas

Pouco mais de um ano depois do anúncio da abertura de novas licitações de transporte aquaviário para a linha de aerobarcos Niterói-Praça Quinze e para a linha de barcas São Gonçalo-Rio, muito pouco foi feito. Em abril do ano passado, o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, anunciou a concorrência depois de uma série de acidentes envolvendo as embarcações das duas empresas responsáveis pelo transporte hidroviário: Barcas S/A e Transtur. O motivo de tanto atraso, de acordo com a Secretaria estadual de Transportes, seria uma disputa judicial com as duas empresas, que não querem perder o direito de explorar as linhas.

O Globo OBITUÁRIO
Deputado Ricardo Izar, aos 71 anos

Presidente do Conselho de Ética da Câmara, o deputado Ricardo Izar (PTB-SP), de 71 anos, se destacou durante a crise do mensalão, em 2005. Ele foi reeleito presidente do Conselho de Ética em março passado, quando derrotou o petista José Eduardo Cardozo (SP). A eleição de Izar foi considerada uma derrota para o PT, que trabalhava para ter à frente do colegiado um nome mais afinado com o partido e com o governo.

Izar começou carreira política em 1964, como vereador em São Paulo, pela Aliança Renovadora Nacional (Arena). Depois, foi eleito deputado estadual para três mandatos e, em 1988, assumiu a Câmara em Brasília, filiado ao antigo PFL, hoje DEM. Nos sucessivos mandatos, passou pelo PPB do ex-governador Paulo Maluf antes de ingressar no PTB.

Durante a Constituinte, teve 147 propostas aprovadas, o maior número individual de emendas incorporadas ao texto constitucional. Formado em direito, era pós-graduado em direito penal pela PUC-SP, onde foi presidente do Centro Acadêmico 22 de Agosto.

Ricardo Izar morreu às 16h de ontem, em São Paulo. Ele estava internado desde o fim de março na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital do Coração, onde foi submetido, no dia 2 de abril, a uma cirurgia para correção de aneurisma na aorta. De acordo com boletim médico, Izar morreu por falência de múltiplos órgãos, em decorrência de complicações no processo de pós-operatório de cirurgia de dissecção de aorta.

Parlamentares que integram o Conselho de Ética da Câmara lamentaram a morte de Izar. O deputado José Carlos Araújo (PR-BA) contou que visitou o colega no início da tarde de anteontem, e que o petebista começava a voltar à consciência após longo período sedado:

- Era um grande amigo, bom presidente, homem sério, competente. Eu lastimo muito a falta de Ricardo Izar.

O deputado Efraim Filho (DEM-PB), o mais jovem do Conselho de Ética, com 29 anos, disse que Izar, que estava no sexto mandato, era uma referência para os parlamentares iniciantes:

- O trabalho no conselho era um referencial, para mim, pela forma com que ele conduzia. É uma perda para o Congresso, que já tem uma carência muito grande. Ele buscou a verdade, independentemente de estar agradando a determinado parlamentar.

O velório do deputado começou ontem à noite, na Assembléia Legislativa de São Paulo, e o sepultamento está previsto para a tarde de hoje, no Cemitério do Araçá, no Centro da cidade. Casado com Marisa Izar, o deputado deixa dois filhos e uma neta.

Wednesday, April 30, 2008

TIMOR LESTE
Comandante rebelde se rende
O líder do grupo rebelde acusado de tentar matar José Ramos-Horta, presidente do Timor Leste, se rendeu ontem, abrindo a perspectiva de que finalmente a situação política no país se estabilize. Gastão Salsinha e 12 de seus homens se entregaram ao vice-primeiro-ministro, José Luis Guterres, durante um encontro a portas fechadas na sede do governo, em Díli. Várias autoridades, inclusive o próprio Ramos-Horta, assistiram à reunião. O atentado que quase matou o presidente, de 58 anos, ocorreu em fevereiro na casa dele. Os rebeldes entregaram armas, fardas camufladas, granadas e outros equipamentos militares. Dois integrantes do grupo continuam foragidos. “Como indivíduo, eu o perdôo, mas como chefe de Estado, digo que ele tem de enfrentar o tribunal”, afirmou Ramos-Horta.
Folha de São Paulo SP terá dia frio no feriado de 1º de Maio
Frente fria vinda do Sul chegou na noite de ontem ao Estado e afetará as regiões Sudeste, Centro-Oeste e parte da Norte
ESTEVÃO BERTONI, DA REDAÇÃO & MATHEUS PICHONELLI,
Uma frente fria vinda do Sul do país, que chegou na noite de ontem ao extremo sul de São Paulo e avançou pelo resto do Estado, deve derrubar hoje as temperaturas em até 10C na capital paulista e manter frio o feriado de 1º de Maio em boa parte do país, segundo o Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos).
As regiões mais afetadas serão Sul, Sudeste, Centro-Oeste e parte da Norte, especialmente em Rondônia, no Acre e no sul da região amazônica. No Sul, a temperatura deve chegar a 0C. Norte de Minas Gerais, Nordeste e grande parte do Norte não sofrerão tanta influência da frente fria.
Segundo o Ciram (Centro de Informações de Recursos Ambientais) de Santa Catarina, há previsão de geada durante a madrugada e ao amanhecer nas serras gaúcha e catarinense.
A massa de ar frio continua a avançar hoje por São Paulo e pelo Rio de Janeiro e deve deixar o tempo nublado, com pancadas de chuva na capital e no litoral paulista. Hoje, a previsão é que a máxima em São Paulo seja de 19C; a mínima, de 14C.
Amanhã, o tempo estará encoberto, com chuvas isoladas. A máxima chega a 17C; a mínima, a 13C.
Na sexta-feira, o dia deve permanecer nublado e com pancadas de chuva, mas as temperaturas deverão apresentar um ligeiro aumento. A máxima vai a 18C; a mínima, a 15C.
O tempo melhora um pouco no sábado, mas o dia ainda será nublado, com pancadas de chuva. As temperaturas devem variar entre 16C e 21C.
Mau tempo
Choveu ontem durante o dia nos três Estados do Sul. Na região de Curitiba, temporais alagaram casas e ruas, deixaram pessoas sem água, derrubaram e destelharam construções.
Uma estação de tratamento de água interrompeu o fornecimento devido ao alagamento do canal de captação. Cerca de 600 mil moradores de Curitiba, Pinhais e São José dos Pinhais permaneciam sem água até o final da tarde de ontem.
O Serviço Meteorológico da Marinha divulgou ontem aviso de mau tempo para navegação na costa e no alto-mar no Sul do país. A previsão é de que os ventos cheguem a 100 km/h e as ondas atinjam até quatro metros de altura no oceano.
Por conta disso, a Defesa Civil de Santa Catarina desaconselhou ontem a navegação de pequenas e médias embarcações perto da costa por conta da agitação do mar. Recomendou, ainda, que a população evite nos próximos dias, como forma de prevenção de acidentes, transitar próximo ou embaixo de árvores e postes.
Anteontem à tarde, chuvas de granizo provocaram estragos no Estado. Em Celso Ramos (356 km de Florianópolis), pelo menos 500 casas ficaram danificadas. Dez mil telhas foram encomendadas pela prefeitura, e mais de cem famílias tiveram de deixar suas casas.
Parte do município ficou sem luz desde o meio da tarde de segunda-feira até o final da tarde de ontem. As aulas ficarão suspensas na cidade durante toda a semana.
Também houve ocorrência de granizo em Ouro (450 km de Florianópolis). Cerca de cem casas ficaram danificadas.
Folha de São Paulo TODA MÍDIA
"À BALA"
Nelson de Sá
Por outro lado, agências da AP à Xinhua seguem de perto a negociação na Colômbia do Conselho de Defesa sul-americano, entre o presidente Alvaro Uribe e Nelson Jobim. Mas o que ecoa na região é a frase do ministro, de que as Farc serão recebidas "à bala".
Folha de São Paulo STF deve votar contra saída de não-indígenas de reserva
No caso da Raposa/Serra do Sol, ministros do tribunal argumentam haver cidades inteiras dentro da área demarcada como indígena
ELIANE CANTANHÊDE, VALDO CRUZ e KENNEDY ALENCAR
O STF (Supremo Tribunal Federal) restringirá a edição de medidas provisórias de créditos extraordinários do Orçamento da União. E tende a modificar o modelo de demarcação contínua da reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima.
No caso da reserva, o objetivo é evitar a remoção de não-indígenas. Segundo a Folha apurou, o STF deve criar "ilhas" na reserva, segundo a expressão ouvida no Supremo.
No das MPs, o Supremo avalia que há abuso do Executivo, que recorre ao artifício para modificar o texto do Orçamento aprovado no Congresso.
Ao julgar o modelo de demarcação da reserva, o Supremo deverá deixar claro que, apesar da pressão de setores e ONGs internacionais, as Forças Armadas não sofrerão constrangimento para atuar em território indígena em todo o país, porque a propriedade das reservas é da União.
O Brasil é signatário da "Declaração dos Povos Indígenas" da ONU (Organização das Nações Unidas), de 2007, que assegura o direito dos índios à terra e aos seus territórios. Isso preocupa as Forças Armadas, porque poderia caracterizar um território autônomo dentro do território nacional.
O comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, admitiu publicamente que temia "ameaça à soberania nacional", já que a reserva fica em área de fronteira.
O Supremo dirá que a declaração não é convenção, tratado nem tem força de lei. Trata-se de manifestação política.
A demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol foi feita em 1998, no governo Fernando Henrique Cardoso, e homologada já na gestão Lula, em 2005. O Planalto começou a recuar na defesa da demarcação contínua devido à tensão gerada pelo processo de retirada dos não-indígenas da área.
Produtores de arroz, por exemplo, ameaçaram entrar em conflito contra índios e a Polícia Federal para ficar na reserva, e o STF suspendeu as ações de retirada dos não-índios para estudar a questão.
Em reunião com líderes indígenas no Planalto, Lula disse que apóia a demarcação contínua, mas, nos bastidores, torce para que o STF mude a regra. Se houver ônus político, será do Supremo, não do governo.
Na opinião da maioria dos ministros do STF, há argumento jurídico para manter na reserva populações não-indígenas que vivem na área, algumas desde 1880 e outras que foram estimuladas pela ditadura militar de 1964 a aderir à colonização de Roraima. A tendência do STF é reconhecer a legitimidade dessas ocupações. Ministros argumentam que há cidades inteiras dentro da reserva e não faria sentido sua remoção.
Atualmente, dentro da reserva já existem duas áreas de exclusão -dos municípios de Normandia e Uiramatã. Políticos do Estado defendem a criação de mais quatro -vale do Arroz, lago de Caracaranã, vila Surumu e a área da hidrelétrica do rio Cotingo, em construção.
Medidas
No caso das MPs, segundo a Folha apurou, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, já disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a tendência é a de restringir as MPs no caso de créditos extraordinários do Orçamento. Só falta um voto para a derrota do governo -o placar está em cinco a três.
A cúpula do governo já contabiliza que essa restrição acontecerá e se empenha para evitar que o Congresso reduza ainda mais o alcance das MPs em proposta em discussão na Câmara.
Folha de São Paulo Índia recebe Ahmadinejad e irrita o governo dos EUA
Irã negocia com indianos gasoduto de US$ 7,6 bilhões que atravessará Paquistão. Departamento de Estado quis que Índia pressionasse o Irã para cessar programa nuclear; Nova Déli disse que dispensava "orientações"
DA REDAÇÃO
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fez ontem à noite uma escala de cinco horas em Nova Déli e não assinou nenhum contrato. Mas isso bastou para que a Índia desse nova prova de independência com relação aos Estados Unidos, que procuram isolar o Irã em razão de seu controvertido programa nuclear.
Ahmadinejad foi recebido pelo primeiro-ministro Manmohan Singh e pela presidente Pratibha Patil. Foi a primeira visita desde 2003 de um governante do Irã à Índia.
Os dois países negociam um gasoduto de 2.500 km de extensão, a um custo de US$ 7,6 bilhões. Ele atravessaria o Paquistão. Mas o projeto escorrega na tarifa exigida pelo Irã para entregar o combustível e na desconfiança da Índia quanto à travessia do duto pelo território de seu histórico inimigo regional, com o qual precisará negociar uma taxa de royalties.
EUA ditaram pauta
Mas o importante na visita de Ahmadinejad está no interesse comum, dele e da Índia, de provocar a irritação americana. Na semana passada, o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey, sugeriu que Nova Déli pressionasse o presidente iraniano a cessar o enriquecimento de urânio e a não mais apoiar o Hizbollah e o Hamas, grupos antiisraelenses no Oriente Médio.
Na ocasião, o Ministério das Relações Exteriores da Índia respondeu que duas civilizações milenares, a sua e a iraniana, não precisavam de "orientações" sobre como se relacionar.
Ainda ontem, Shiv Shankar Menon, o chefe da diplomacia indiana, declarou que a região se estabilizará se o Irã não permanecer isolado.
É o oposto do que pensam os Estados Unidos, que trabalham por esse isolamento, como forma de pressão para que os iranianos não levem adiante o plano que lhes é atribuído de construir a bomba atômica.
Lalit Mansigh, ex-embaixador da Índia em Washington, disse ao "New York Times" que é positivo para o governo indiano tomar iniciativas que possam desagradar aos EUA.
Um integrante do governo de Nova Déli, não identificado, também afirmou ao jornal americano que a visita de Ahmadinejad "é de alta visibilidade, mas de magras chances de gerar resultados concretos".
O "Times" não bate apenas na tecla da irritação da administração Bush. Há um outro pacote de motivos que leva o Irã a se manter próximo da Índia. Ele é o segundo maior fornecedor de petróleo aos hindus, superado apenas pela Arábia Saudita. O Irã é também influente no Afeganistão, cuja instabilidade preocupa a Índia. Por fim, os iranianos exercem liderança sobre a minoria xiita da Índia, com a qual o governo procura manter boas relações.
Antes de desembarcar em Nova Déli, Ahmadinejad, em visita oficial ao Sri Lanka, assinou contrato de empréstimo de US$ 1,5 bilhão para que aquele país amplie sua principal refinaria de petróleo e sua capacidade de geração hidrelétrica.
Na ocasião, o presidente iraniano afirmou que "podemos dar segurança e manter boas relações, mas alguns países poderosos [referência aos EUA] criaram divisões entre os povos e nacionalidades".
Com agências internacionais
Folha de São Paulo EUROPA
Sérvia é aceita como candidata à adesão à UE
A União Européia assinou ontem com a Sérvia um tratado que teoricamente dá início ao processo de adesão daquele país ao bloco, apesar de divergências sobre a independência de Kosovo e da não entrega ao Tribunal de Haia de sérvios implicados em genocídio nas operações de "limpeza étnica".
O documento foi assinado pelo vice-primeiro-ministro Bozidar Djelic, depois que a Bélgica e a Holanda recuaram do veto ao início das negociações.
O ministro holandês do Exterior, Maxime Verhagen, insistiu para que a Sérvia entregue seus assassinos, como Ratko Mladic, responsável pela morte de 8.000 muçulmanos.
O Dia ‘Imigrantes’ em alto-mar
Maior porta-aviões do mundo, americano, tem dez brasileiros que trabalham e vivem a bordo
João Ricardo Gonçalves
Rio - Na costa do Estado do Rio desde a semana passada, o maior porta-aviões do mundo, o americano USS George Washington, é chamado de “cidade sobre as águas”. Como em muitas localidades americanas de verdade, a embarcação leva também “imigrantes” brasileiros e filhos de pessoas que nasceram no País e se mudaram para os EUA. Segundo tripulantes, cerca de 10 brasileiros viajam com o navio, alguns de “mala e cuia”.
É o caso da controladora de vôo Cynthia Cavendagne, 21 anos, que tem pais cariocas de Botafogo, mas nasceu em Miami. “Começei a fazer faculdade nos EUA, mas queria conhecer o mundo. Eu e uma amiga decidimos nos alistar. Atualmente moro no navio e nem tenho casa fora. Gosto muito da vida aqui”, diz a militar, em português.
Entre os passatempos prediletos de Cyntia no navio estão conhecer as cidades de onde ele se aproxima, malhar em uma das cinco academias do porta-aviões e ver canais de TV exclusivos da própria embarcação.
Já o sargento de primeira-classe Lucimar dos Santos, 29 anos, de Santo André (SP), e o cabo Felipe Rocha, 21, de Belo Horizonte (MG), que trabalham na pista de vôo sinalizando para os aviões que pousam, gostam de disputar torneios de futebol em alto-mar.
Eles também se dizem felizes na Marinha americana: “O único problema é a saudade da minha filha que acabou de nascer, na Flórida, mas em poucos meses vou vê-la”, conta Lucimar, que está nos EUA desde os 16 anos, e ganha US$ 3 mil por mês.
Brasileiros que participam do Unitas, o treinamento conjunto com americanos e argentinos, e outros exercícios também aproveitam para trabalhar na embarcação. “Estou gostando muito do navio, mas em termos de preparação e procedimentos não ficamos devendo”, afirma o primeiro-sargento Josias Nogueira Bocórnio, 41, que trabalha no porta-aviões São Paulo.

Sunday, April 27, 2008

Obstáculos vão além de Itaipu
Presidente eleito, Fernando Lugo terá desafios maiores do que aumentar o preço da energia vendida ao Brasil. Sem maioria no Parlamento, ele enfrentará resistência dos brasiguaios à reforma agrária
Eraldo Peres

"Quando o Brasil sempre se curvava diante das exigências do FMI, não havia preocupação de que estivéssemos perdendo a soberania"
Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, respondendo aos que criticam a disposição do governo a rediscutir a tarifa paga ao Paraguai pela energia de Itaipu

Talvez o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, tenha mais facilidade para arrancar alguns milhões de dólares a mais do Brasil, como pagamento pela eletricidade de Itaipu, do que para levar adiante sua agenda doméstica de mudanças. O ex-bispo ligado à Teologia da Libertação — a corrente da Igreja Católica sul-americana que flertou com o marxismo nos anos 1960 e 1970 — assume em 15 de agosto com o compromisso de virar a página de seis décadas de hegemonia do Partido Colorado, do ex-ditador Alfredo Stroessner. Mas, como outros esquerdistas do continente que chegaram ao governo pelas urnas, Lugo terá de fazer concessões ao centro para compor no Congresso uma maioria estável.

“Creio que ele será um presidente moderno, progressista, mas terá de negociar o tempo todo com o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA, de centro), que será o núcleo da base parlamentar”, é o diagnóstico do analista político paraguaio Alfredo Boccia. “Será a ‘perna conservadora’ do governo Lugo.” Milda Rivarola, outra comentarista, espera uma transição à moda da redemocratização no Brasil — lenta, gradual e segura. “O povo votou por uma mudança cuidadosa: um presidente com perfil de esquerda e um partido de centro (o PLRA) controlando o Parlamento.” A Aliança Popular para a Mudança (APC), coalizão ecumênica que elegeu Lugo, terá uma bancada modesta na Câmara dos Deputados e presença reduzida no Senado, onde os colorados devem continuar como o maior partido.

Carlos Mateo Balmelli, senador pelo PLRA e um dos nomes mais cotados para ser o futuro ministro das Relações Exteriores, reconhece as dificuldades e aconselha o presidente a não enveredar pelo caminho do tradicional “toma-lá-dá-cá” com os demais partidos. “O governo não pode cair na lógica do loteamento”, disse em entrevista ao jornal paraguaio ABC Color. “Temos é de fortalecer a autoridade do presidente como primeiro requisito para a governabilidade.” Mais até do que costurar uma base parlamentar, o novo chefe de Estado precisará lidar, no dia-a-dia da administração, com uma máquina pública metodicamente povoada pelo Partido Colorado, com base no clientelismo.

Itaipu à parte, Fernando Lugo terá no Brasil também o principal contraponto àquela que foi sua principal bandeira política, antes mesmo da candidatura à Presidência: o projeto de realizar uma profunda reforma agrária. As resistências se concentram nos brasiguaios, os fazendeiros (principalmente de soja) que dominam o campo. Segundo estimativas recentes, eles são cerca de 500 mil e, ao longo das décadas, cultivaram relações ambíguas com o país de adoção: conquistaram prosperidade que ficou concentrada, como a propriedade fundiária; e sempre mantiveram um “pé” no Brasil, tendência manifestada inclusive na preservação do português como idioma “de casa”.

“O Paraguai tem um modelo agrícola baseado no latifúndio dominado pelos brasiguaios plantadores de soja, que já anunciaram resistência à reforma agrária”, escreveu para a agência de notícias Adital, ligada a setores católicos de esquerda, Selvino Heck, assessor especial do presidente Lula e coordenador do Movimento Fé e Política, uma cria da Teologia da Libertação. Heck lembra ainda que o Paraguai tem o terceiro menor PIB per capita do continente (menos de US$ 2 mil), à frente apenas da Bolívia e da Guiana.

O embaixador de Cuba, Alberto Curbelo, e a embaixadora da Venezuela, Nora Uribe, estiveram entre as primeiras autoridades a se reunir com Fernando Lugo, depois de confirmada sua vitória na eleição de domingo passado. Mas um consenso entre os analistas parece ser o de que, embora Lugo tenha a imagem associada à do presidente venezuelano, Hugo Chávez, o Paraguai está longe de se tornar mais um vértice do “eixo” chavista, a exemplo da Bolívia de Evo Morales. “A esquerda paraguaia não tem uma história, uma tradição: nosso Parlamento nunca teve esquerda”, pondera Alfredo Boccia.

O que preocupa Lugo
O ex-bispo eleito presidente precisará demonstrar habilidade para agradar a sua base política, que reúne desde democratas-cristãos a militantes de extrema esquerda. Até o principal partido opositor, o Colorado, manifestou interesse em participar do governo.

A economia paraguaia cresceu 6,7% em 2007. Lugo quer mais receita de Itaipu para acelerar o crescimento. O Paraguai aproveita apenas 5% da energia da hidrelétrica, enquanto tem direito a 50%. Os 45% restantes são vendidos ao Brasil em operações que rendem cerca de US$ 300 milhões por ano. O futuro presidente deseja elevar esse valor para, pelo menos, US$ 1,5 bilhão.

Lugo deseja fazer uma reforma agrária histórica no Paraguai. Entre as medidas previstas, estão o cadastramento dos proprietários de terras e a divisão do território nacional em zonas de produção. A intenção do ex-bispo é dar melhores condições aos pequenos agricultores, preteridos quando o assunto é financiamento e acesso à terra.


Correio Braziliense País deve aproveitar facilidades do Brasil
Entrevista - LUIZ GONZÁLEZ ARIAS
João Cláudio Garcia
Minervino Júnior

O Paraguai precisa aproveitar melhor as facilidades que o Brasil tem a oferecer na relação bilateral. Essa é a opinião do embaixador paraguaio em Brasília, Luiz González Arias. Ele recebeu a reportagem do Correio para rebater a acusação de que o Paraguai “só entrou com a água” na construção da usina de Itaipu. Segundo o diplomata, o preço justo a ser pago pelos brasileiros sairá do diálogo entre Fernando Lugo e Lula.

Quais serão as principais dificuldades para o novo governo paraguaio?
Fernando Lugo terá boa chance de cumprir as promessas de campanha, terá governabilidade. Ele prometeu uma reforma agrária integral, precisará de dinheiro, de tempo. Se comprometeu também com os mais pobres, sobretudo na educação e na saúde. O governo entregará a casa em ordem. O crescimento econômico do Paraguai é inegável, a dívida externa é pequena, as reservas são elevadas. Lugo terá possibilidade de executar os projetos com mais facilidade, algo que o presidente Nicanor Duarte não conseguiu.

A reforma agrária deve ter impacto sobre os brasileiros?
O presidente eleito disse claramente que não precisa expropriar as terras que estão sendo trabalhadas. A intenção do futuro governo, pelo que entendi da campanha, é buscar uma forma de substituir a agricultura minifundiária por um sistema com mais cooperativas, fomentar culturas que permitam ao camponês ficar na terra. O atual modelo empresarial de produção é complicado porque o grande produtor tem crédito, tem facilidades, tem tudo. E os cidadãos do campo partem para a cidade, onde encontram dificuldades, pois não têm capacitação, formação.

O que deve ser mudado na questão de Itaipu? É preciso alterar o tratado?
Lugo e sua equipe querem mais benefícios de Itaipu. Se precisa mudar ou não o tratado, não sei. Uma equipe técnica está sendo formada, e o presidente Lula se comprometeu com uma mesa de trabalho. É a possibilidade de uma discussão amistosa, séria. Neste momento, falar o que devemos fazer é difícil, temos de escutar as partes.

A atual predisposição do Brasil para negociar representa uma mudança de postura?
É um passo positivo, mas não podemos esquecer que, durante o governo de Duarte, Paraguai e Brasil negociaram sobre Itaipu. Esperamos que o Congresso aprove o regime unificado das tarifas na fronteira. Está para ser aprovada a igualdade para o transporte terrestre internacional. Temos a possibilidade de começar a construção da segunda ponte. Precisamos aproveitar essa possibilidade de que o Brasil dê maiores facilidades ao país, financiamento. Precisamos de uma integração verdadeira, mais ampla.

Qual seria o preço justo que o Brasil deveria pagar ao Paraguai pela energia?
Acho que preço justo vai sair das negociações entre os países. Não sou especialista, mas temos pessoas capacitadas nos dois países. Dessa soma de argumentos dos dois lados sairá o preço justo. Estamos falando em igualdade de condições. Cada um entrou com a metade do rio. O financiamento do Brasil é tema que também está em discussão. Estamos falando de um aproveitamento ótimo da produção de Itaipu. Ótimo, para o Paraguai, significa melhor preço e aproveitamento.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquini, disse que o Paraguai entrou só com a água na construção da usina…

Se você enxerga do ponto de vista financeiro, o Brasil entrou com o dinheiro para a construção. Mas o que é a matéria-prima da hidrelétrica? É a água. Somos donos de metade da água. É simples. O financiamento poderia vir de outras fontes. A reclamação do Paraguai é de que a dívida de Itaipu, com base no fator de reajuste, subiu muito. Pagou-se muito dinheiro e, à medida que se pagava, a dívida subia.


Correio Braziliense Ponto a ponto - Ricardo Cotta
Superintendente da CNA diz que país tem condições de fornecer alimentos para o mundo
Superintendente da CNA diz que país tem condições

O Brasil tem condições de ser o grande fornecedor de alimentos do mundo e ajudar na redução dos elevados preços internacionais, se resolver os gargalos de infra-estrutura. Para o superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Cotta, o país é um dos poucos que ainda tem espaço para elevar a área agricultável. Além disso, os agricultores estão dispostos a plantar mais para aproveitar os preços internacionais.

Em entrevista ao Correio, Cotta ressaltou que a redução do protecionismo nas economias desenvolvidas poderia baratear os preços para os países mais pobres. Ele aproveitou ainda para criticar o discurso de que a falta de alimentos do mundo está relacionada ao aumento da produção de biocombustíveis. “No Brasil, isso não condiz com a realidade. Quem fala isso desconhece a realidade agrícola brasileira”, destacou.

O superintendente disse ainda que o aumento dos juros pelo Banco Central não vai impactar em nada os preços dos alimentos. “Alimento é safra. É produzir mais para equalizar oferta e demanda”. Veja abaixo os principais trechos da entrevista:

Agricultura pode crescer
Valter Campanato

“Alimento é safra. É produzir mais para equalizar oferta e demanda”

ABASTECIMENTO MUNDIAL

O Brasil é o único país do mundo com potencial para suprir a demanda crescente por alimentos. Teríamos até condições de influenciar na redução dos preços internacionais. Mas é preciso tempo. Isso não se consegue de um ano para outro.

APAGÃO LOGÍSTICO
Só conseguiremos abastecer o mundo com alimentos, se tivermos como escoar. É preciso resolver as questões portuárias e das vias de acesso. É preciso deixar de priorizar rodovias e olhar para as hidrovias. As ferrovias estão engatinhando. Com tantos problemas, fica difícil o Brasil se tornar o fornecedor de alimentos do mundo. Estamos tendo uma sobrevida porque há dois anos tivemos um baque na produção. Se a tendência de crescimento tivesse sido mantida nos últimos anos, teria ocorrido um apagão logístico. Agora, novamente, a perspectiva é de expansão. A colheita será de cerca de 140 milhões de toneladas — 9 milhões de toneladas a mais de grãos. Se o aumento fosse de 20 milhões de toneladas, o país travaria. Não daria para escoar a produção.

INEFICIÊNCIA NOS PORTOS
Em Paranaguá, existem, pelo menos, 40 navios esperando para atracar. É um absurdo porque o custo diário de um navio de 60 mil toneladas gira na casa dos US$ 50 mil. Normalmente, quando uma empresa envia produtos ao Brasil, já sabe que terá que aguardar pelo menos um mês para atracar e já embute isso no preço. É um volume muito grande de recursos indo para o ralo, o que poderia ser investido na renovação de todo o parque portuário.

DESPERDÍCIO
O foco é a falta de renda em alguns países pobres. Eles não têm dinheiro para comprar alimentos hoje em função de uma série de fatores que vão desde problemas políticos de organização do Estado à falta de oportunidades, provocada pelo alto protecionistmo internacional. A falta de alimentos está relacionada à renda e não ao desperdício. O desperdício vai ser cada vez menor quanto mais caro for o produto. Não há desperdício de relógio ou computador.

PROTECIONISMO
O problema do Brasil está mais relacionado ao dever de casa — principalmente, na questão de infra-estrutura — do que ao protecionismo. Em cenário de elevados preços internacionais, a cobrança de imposto de importação acaba sendo compensada. Mas é óbvio que uma eventual redução do protecionismo ajudaria inclusive a baratear os preços no mundo.

BIOCOMBUSTÍVEL
É a bola de vez para tomar porrada. No Brasil, não condiz com a realidade o discurso de que a produção de cana-de-açúcar para biocombustíveis estaria crescendo em detrimento à de alimentos. Isso não cola para nós. Quem fala isso desconhece a realidade agrícola brasileira.

RODADA DE DOHA
Acredito que todos os países desenvolvidos estão pressionados para uma liberalização do mercado agrícola mundial em função da rodada de Doha. Ou ela vai se resolver nos próximos dois meses ou não se resolve. Estamos num momento crucial. Como os preços dos alimentos estão muito altos, a diminuição dos impostos de importação beneficiaria a população local que poderia comprar produtos mais baratos.

INFLAÇÃO DOS ALIMENTOS
Houve uma transferência de renda de produtores para consumidores. Foi mais de R$ 1 trilhão ao longo de 30 anos, devido a queda dos preços agrícolas. No médio prazo, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) desmembrado mostra que os alimentos subiram menos do que outros bens não-agrícolas. Nos últimos seis meses, isso se inverteu para alguns produtos alimentícios. Só que se omite o médio e o longo prazos. O que estamos vendo é mais um movimento de recuperação. O aumento de juros do BC não vai impactar em nada os preços dos alimentos. Alimento é safra. É produzir mais para equalizar oferta e demanda


Correio Braziliense Localidades em alerta vermelho
Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Ceará preocupam pesquisadores. Depois de uma fase de quatro anos de calmaria, regiões podem ter entrado em novo ciclo de abalos sísmicos
Renata Mariz

Embora tenha atingido magnitude relevante, de 5,2 graus na escala Richter, o tremor no oceano sentido em quatro estados esta semana não preocupa os pesquisadores. As atenções estão mais voltadas para duas áreas habitadas, consideradas grandes fontes sísmicas no país: o norte do Mato Grosso e a Bacia Potiguar, que abrange os estados do Rio Grande do Norte e Ceará. São nessas localidades que o alerta vermelho das centrais sismológicas permanecem ligados. Especialistas acreditam que o Brasil entrou, há cerca de quatro anos, em um novo ciclo de terremotos, após um período de calmaria.

“Não existe uma explicação fechada sobre o assunto, mas trabalhamos com a idéia de períodos. Você teria um ciclo de acúmulo de forças nas camadas da terra onde há falhas e, depois, uma dissipação dessas forças. É nesse momento que ocorrem os tremores”, afirma Joaquim Mendes Ferreira, coordenador do Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Ele destaca que o último ciclo no país foi de 1986 a 1991. “Nesse período, houve atividade sísmica em mais de 14 localidades só do Nordeste.” O ciclo atual teria se iniciado em 2002.

Para se ter idéia, no Ceará, já foram 750 tremores desde o começo deste ano. Na cidade de Sobral, supreendida por um abalo de 3,9 graus em fevereiro passado, a população dorme em barracas com medo de um novo abalo. O diretor do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, Colombo Tassinari, explica que o Nordeste, assim como o Mato Grosso, tem falhas geológicas, já mapeadas pelos pesquisadores, que provocam os sismos. “Há estudos de uma boa parte do país, mas na Amazônia, por exemplo, não temos um controle geológico”, diz.

Tremores esquecidos
Em locais ermos, sem habitações, os tremores muitas vezes nem se tornam públicos. Um abalo de 6,1 graus na escala Richter, em outubro passado, sacudiu a divisa do Acre com o Amazonas sem grande notoriedade. Da mesma forma, o maior tremor de terra do Brasil, de 6,6 graus, em Porto dos Gaúchos (MT), no ano de 1955, não é muito lembrado por não ter deixado vítimas.

Entretanto, o cenário atual no município, fonte de preocupação dos especialistas, está bem diferente. “Naquele tempo não havia cidades naquela área do Mato Grosso. Mas um terremoto de mais de 6 graus em Porto Gaúchos hoje pode causar grandes estragos por conta da densidade demográfica”, diz Lucas Vieira, chefe do Laboratório de Sismologia da Universidade de Brasília (UnB). De março de 1998 a dezembro de 2002, o especialista detectou 3 mil sismos na localidade, que hoje tem população de 6 mil pessoas.

A UnB opera uma rede com aproximadamente 50 estações instaladas no país. Um projeto para criar mais 40, e distribuí-las uniformemente pelos estados, foi apresentado na semana passada ao governo federal. Mas não houve acerto formal de parceria. Um estudo mais adiantado é patrocinado pela Petrobras, em parceria com o Observatório Sismológico Nacional, no Rio de Janeiro, e com a UFRN, na capital potiguar.


Folha de São Paulo CET interdita rua para reconstituição do caso Isabella

A CET (Companhia de Engenharia do Tráfego) interditou por volta da meia-noite deste domingo (27) a rua Santa Leocádia, na Vila Isolina Mazzei (zona norte de São Paulo), para a reconstituição da morte da menina Isabella Nordoni, 5, que acontece hoje.

Isabella foi jogada do sexto andar do edifício London no final da noite de 29 de março. A reconstituição está marcada para começar às 9h e pode se estender por até dez horas.

A partir das 7h do domingo o espaço aéreo ficará bloqueado em um raio de 1,5 km do prédio. Na noite de sexta-feira (25) a Aeronáutica emitiu o Notan (Notice to Airmen, aviso aos navegantes, em português) proibindo o vôo de helicópteros, balões e aviões das 7h às 22h.

Policiais civis e militares estão no local para controlar o acesso de pessoas. Só têm direito a circular na rua moradores e prestadores de serviço e seus respectivos veículos.

O esquema montado pela polícia prevê ainda bolsões para que as pessoas acompanhem o trabalho da perícia. Eles ficarão a 60 metros do ponto onde estará montada a área reservada aos jornalistas, um próximo à rua Mandaguari e à avenida General Ataliba Leonel.

A polícia cadastrou moradores para facilitar o acesso à rua e evitar que outras pessoas tenham acesso ao local. Caso as pessoas tentem furar o bloqueio, podem ser encaminhadas a delegacias de polícia da região e responder por desacato a autoridade.

Reconstituição
Os responsáveis pela investigação do caso consideram fundamental a reconstituição. Através dela, por exemplo, será possível confirmar a tese defendida pela Polícia Civil, a de homicídio praticado pelo pai da garota.

O fechamento do espaço aéreo é necessário, segundo a Polícia Civil, para não prejudicar a reconstituição dos fatos que resultaram na morte da garota, asfixiada e jogada do sexto andar do prédio enquanto passava o fim de semana com o pai, Alexandre Nardoni, e com a madrasta, Anna Carolina Jatobá-indiciados pela polícia por homicídio doloso (com intenção) com três agravantes: motivo fútil, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. O casal nega envolvimento no crime.

Nardoni e Jatobá não irão participar da encenação por recomendação dos advogados de defesa. Com isso, policiais civis com portes físicos parecidos com os do casal farão a reconstituição.

A expectativa é de que o inquérito que investiga as circunstâncias em que ocorreu a morte da garota seja concluído no prazo de 30 dias, que vencem na próxima terça-feira (29).

Apenas o edifício London e parte de um prédio vizinho serão utilizados na reconstituição. Fatos anteriores da chegada do casal ao estacionamento do edifício --entre eles compras em um hipermercado-- e a visita do casal à casa dos pais de Anna Carolina, em Guarulhos (Grande São Paulo), não serão refeitos.

A encenação começará dentro do estacionamento do prédio. Após a saída do estacionamento será utilizado um dos elevadores que levam ao sexto andar, onde está localizado o apartamento. Serão gravadas imagens da saída do elevador até a porta do apartamento, sala e quarto, principais cenas do crime. De lá, o elevador é novamente utilizado até o acesso ao jardim do prédio parte da rua defronte ao edifício.

Para simular a presença dos filhos do casal, serão utilizados bonecos, assim como foi feito pela Polícia Técnico-Científica para simular a morte de Isabella durante o recolhimento de materiais que resultaram nos laudos.
Em determinados momentos, nem mesmo os delegados responsáveis pelo caso estarão presentes devido ao exíguo espaço de alguns locais. A prioridade é para os peritos e equipamentos que eles utilizarão.


Folha de São Paulo Governador norte-americano confia em reativação de acordo humanitário na Colômbia

O governador do Estado americano do Novo México, Bill Richardson, se declarou "otimista" em relação à possibilidade de reativar as negociações para um acordo humanitário na Colômbia depois de se reunir em Caracas com o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Richardson, que manteve uma reunião de mais de hora e meia com o governante venezuelano, qualificou de "produtivo" e "positivo" o encontro, no qual estiveram presentes o embaixador dos EUA na Venezuela, Patrick Duddy, e o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro.

"Simplesmente estou otimista em relação a retomarmos as discussões sobre o acordo humanitário", disse durante sua saída do Palácio presidencial de Miraflores, onde aconteceu a reunião.

O governador do Partido Democrata, em breves declarações à imprensa, manifestou que Chávez tinha lhe dito que está "disposto a ajudar" para retomar o caminho do acordo.
Além disso, destacou que seu único interesse são os reféns seqüestrados pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia): três americanos, a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e mais de 400 colombianos.

"Todos são reféns merecem estar livres", disse Richardson, que falou em espanhol e em inglês com a imprensa.

O governador do Novo México insistiu em que ele não era "um enviado do governo dos EUA", nem da OEA (Organização dos Estados Americanos), mas "um enviado dos familiares dos seqüestrados", e não só dos seqüestrados americanos.

Agradeceu a atenção do governo venezuelano, especialmente do chanceler Maduro, assim como a do embaixador americano, e afirmou que retorna aos EUA com o propósito de tentar ajudar na via do acordo que permita uma troca humanitária.

Richardson disse que se reuniu recentemente com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que, disse, "também está disposto a ajudar", e que falou com as autoridades francesas.

"O governo americano quer movimento em relação à libertação dos reféns", comentou o governador, que se declarou especialmente preocupado com a saúde de Ingrid Betancourt.

Richardson indicou que ia falar também com a senadora colombiana Piedad Córdoba, que, da mesma forma que Chávez, foi suspensa no mês de novembro do ano passado por Uribe em seu papel de mediadora para uma troca humanitária entre reféns e guerrilheiros presos.

O governador americano não deu detalhes sobre que tipo de ajuda poderia dar Chávez para reativar os contatos.

Em declarações horas antes, o presidente venezuelano tinha dito que não sabia se poderia ajudar na tarefa de alcançar os objetivos colocados por Richardson.

"Não sei se poderei continuar ajudando neste tema, porque para ajudar é preciso que as partes que estão no problema aceitem a ajuda", disse Chávez em referência ao veto de Bogotá para que desempenhe um papel mediador.

Os três americanos cuja liberdade é defendida por Richardson foram capturados pelas Farc quando o avião no qual efetuavam um rastreamento eletrônico nas selvas do sul da Colômbia caiu.

Em janeiro e fevereiro, a guerrilha colombiana libertou seis de seus reféns de forma unilateral e os entregou a Chávez em "desagravo" por ter sido afastado da mediação pelo presidente colombiano.

As já deterioradas relações entre Bogotá e Caracas sofreram um novo colapso em março, após o ataque militar colombiano contra um acampamento das Farc em território do Equador, no qual morreram 26 pessoas, entre elas o porta-voz da guerrilha, Raúl Reyes, um equatoriano e quatro universitários mexicanos.

A crise começou a ser solucionada após a cúpula do Grupo do Rio no mês passado em Santo Domingo, capital da República Dominicana, mas as Farc advertiram que não farão mais libertações unilaterais.

Além disso, reiteraram sua exigência a Uribe, que a rejeita, que desmilitarize os municípios de Pradera e Florida para negociar uma troca humanitária de 39 reféns --entre os quais estão os três americanos-- por cerca de 500 guerrilheiros presos.

A visita a Caracas do governador do Novo México acontece dias antes da já anunciada viagem do ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, à Colômbia, Equador e Venezuela na próxima semana.

Kouchner abordará com seus interlocutores a "urgência de uma solução humanitária" que leve à libertação dos reféns das Farc, incluindo Ingrid Betancourt, após o fracasso da missão enviada pela França, Espanha e Suíça à Colômbia para tentar contato com a guerrilha


Folha de São Paulo Dois grupos reivindicam autoria de ataques durante desfile no Afeganistão

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, saiu ileso neste domingo de uma ataque, reivindicado tanto pelos talebans como por um grupo armado relacionado à Al Qaeda, e realizado quando começava o desfile de comemoração pela vitória mujahedin contra o Governo comunista apoiado pelos soviéticos.

Uma pessoa morreu e 11 ficaram feridas no ataque --cujas características ainda não estão claras--, informou à Agência Efe o porta-voz do Ministério da Defesa, Zahir Azimi, que não disse quem foram as vítimas.

O porta-voz taleban Zabiullah Mujahid assegurou à Efe que seis insurgentes do grupo tinham atacado durante a cerimônia com rifles de assalto e que três deles morreram no tiroteio que se seguiu, enquanto os outros escaparam para um "lugar seguro".

Segundo Mujahid, os talebans lançaram seu ataque cerca de 30 metros do palanque no qual Karzai e outros dignatários presenciavam o grande desfile militar, que foi interrompido enquanto milhares de pessoas fugiam apavoradas.

A autoria do ataque também foi atribuída ao líder radical afegão Gulbudin Hekmatiar, um ex-mujahedin que agora está associado à rede terrorista Al Qaeda.

Um porta-voz de Hekmatiar disse à rede de televisão privada Tolo que seus homens tinham atacado durante a cerimônia com foguetes a partir de uma casa situada a cem metros de Karzai.

Pouco após ser retirado do local por seus guarda-costas, Karzai apareceu na televisão para confirmar que estava bem e anunciar que vários agressores tinham sido detidos.

O porta-voz da Defesa não pôde confirmar quantas pessoas foram detidas nem a que grupo insurgente pertencem.

O ataque aconteceu poucos minutos após começar a cerimônia de comemoração da vitória dos mujahedins afegãos contra o Governo comunista apoiado pela União Soviética, em 1992, e se confundiu com o som das salvas de canhão e o hino que era executado no momento.

As tropas soviéticas se retiraram do Afeganistão em fevereiro de 1989, após dez anos de ocupação e conflitos contra diferentes grupos de mujahedins, dos quais o de Hekmatiar foi o que mais ajuda externa recebeu.

Outros grupos de antigos mujahedins têm uma forte presença no Parlamento e no Governo de Karzai e a cada ano lembram com um desfile em Cabul sua vitória contra o comunismo.

Na década de 1990, os talebans se levantaram em armas contra o Governo dos mujahedins, após vários anos de uma sangrenta guerra civil entre as diferentes facções que tinham lutado contra a URSS, afundando o país no caos.


Folha de São Paulo Tiros obrigam Karzai a abandonar palanque durante desfile no Afeganistão

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, abandonou neste domingo (27) o palanque de onde presenciava um desfile militar após serem ouvidos tiros, segundo imagens divulgadas ao vivo pela televisão afegã.

Minutos após começar o desfile para comemorar a vitória dos mujahedins afegãos contra os ocupantes soviéticos, foram ouvidos alguns disparos, que forçaram a retirada de Karzai e outros membros do governo presentes no ato.

Pouco depois, o porta-voz taleban Zabiullah Mujahid assegurou à Efe que seis insurgentes tinham atacado a cerimônia.

Três deles morreram no tiroteio, enquanto os outros três conseguiram escapar para um "lugar seguro", descreveu o porta-voz, que não disse se os agressores causaram alguma baixa durante o ataque.

Os antigos mujahedins afegãos têm uma forte presença no Parlamento e no governo de Karzai e cada ano lembram com um desfile em Cabul sua vitória contra a União Soviética, que invadiu o país em 1979 e se retirou dez anos depois.

Na década de 1990, os talebans se levantaram em armas contra o governo dos mujahedins, após vários anos de guerra civil entre as diferentes facções que tinham lutado contra a URSS.


Folha de São Paulo Cidades que mais desmatam lideram crimes na Amazônia
Violência aparece em 39 das 50 cidades com maior índice de devastação na região
EDUARDO SCOLESE

Os municípios que mais desmatam na região amazônica são também os que mais registram trabalho escravo e violência no campo. O avanço da pecuária na área acompanha o ritmo da queda das árvores.
Essas relações foram detectadas pela Folha a partir do cruzamento de dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do Ministério do Trabalho e da CPT (Comissão Pastoral da Terra).

A reportagem teve acesso a levantamento do Inpe que identifica o total desmatado de agosto de 2004 a julho de 2007 em 601 cidades da Amazônia Legal (Estados do Norte, além de Mato Grosso e Maranhão).

No ranking dos 50 municípios que mais extraíram madeira no período, sendo 23 em Mato Grosso e 20 no Pará, a violência no campo aparece em 39 deles, com crimes ligados a conflitos fundiários e flagrantes de trabalhadores em situação análoga à escravidão.

Os municípios "top 50" do desmate acumularam a média de um assassinato entre 2004 e 2007, índice sete vezes acima do registrado na região amazônica (0,14), segundo a CPT.

Os campeões na derrubada de árvores também estão à frente nos flagrantes de trabalho escravo, ou seja, quando, além de ser submetido a situações degradantes, o trabalhador é impedido fisicamente de deixar a propriedade.

Entre 2004 e 2007, a média nesses 50 municípios foi de 109 trabalhadores resgatados pelo grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho. Na Amazônia, no mesmo intervalo, a média geral dos municípios foi de 16 pessoas flagradas nessas condições.

Gigante
No topo da lista do desmate está o gigante paraense São Félix do Xingu, município com área equivalente à soma dos Estados de Alagoas e do Rio Grande do Norte (84,2 mil km2).

Nele, em três anos, foram devastados 2.812 km2, com quatro assassinatos e 291 trabalhadores resgatados.

"Onde tem desmatamento ilegal, onde tem grilagem de terra, tem madeireiras e tem morte. A vinculação é realmente essa", afirma Ailson Machado, assessor de mediação de conflitos agrários da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência.

"O trabalho escravo vem junto, porque eles [proprietários ou grileiros] usam essas pessoas, a maioria delas migrantes, para abrir a mata. Quando termina o desmate, ou elas ficam expostas à violência, sem trabalho, ou são levadas para outras áreas para serem exploradas", completa.

O avanço do desmatamento na Amazônia também coincide com o crescimento da pecuária. Entre os 50 municípios da região que, segundo dados do IBGE, mais avançaram na quantidade de cabeças de gado entre 2003 e 2006, 29 deles também integram os top 50 na derrubada da floresta.

Colniza (MT) é um exemplo. No extremo noroeste do Estado, na divisa com Amazonas e Rondônia, a cidade aparece em quarto no ranking do desmate, com 982 km2 derrubados, 115,9 mil novas cabeças de gado e dois assassinatos, em três anos.

No mesmo intervalo, Confresa, município no nordeste mato-grossense, seguiu uma linha semelhante, com 270 km2 de desmate, 114,6 mil novas cabeças de gado e 1.013 trabalhadores flagrados em situação análoga à escravidão. "A gente lamenta, mas tem pessoas que ainda estão fazendo isso. Se aproveitarem as áreas já abertas, não precisam desmatar", diz o pecuarista Nerci Wagner, presidente do sindicato rural de Confresa.

Entre os top 50 do desmatamento, houve um crescimento médio de 90,9 mil cabeças de gado, contra 15,7 mil em toda a região amazônica, uma diferença de 579%.

Valor da floresta
Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o que acontece é que o desmate é uma resposta ao que classifica de baixo valor econômico da floresta. A entidade rejeita a relação entre a violência no campo e a atividade econômica.

José Batista Afonso, advogado da CPT do Pará e integrante da coordenação nacional do braço agrário da Igreja Católica, afirma que a relação entre o desmatamento e a violência no campo não é coincidência.

"Não existe coincidência, e sim uma relação. Na Amazônia, especialmente no Pará, a atividade da pecuária sempre foi a campeã na utilização de mão-de-obra do trabalho escravo. E, se existe expansão da pecuária, há também a expansão da área de desmatamento", declara Afonso, advogado da CPT.


Jornal de Brasília Conferência Nacional reunirá 2 mil jovens em Brasília a partir de amanhã

Dois mil jovens de todo o país estarão em Brasília amanhã (27) para participar da 1ª Conferência Nacional da Juventude. O evento se estenderá até o dia 30. Eles apresentaram cerca de 4,5 mil propostas discutidas em conferências estaduais, realizadas em fevereiro e março.

As propostas foram divididas em 16 áreas: educação, trabalho, cultura, saúde e sexualidade, participação política, meio ambiente, segurança e direitos humanos, diversidade e políticas afirmativas, esporte e lazer, fortalecimento institucional da política da juventude, mídia e tecnologia da informação, drogas, cidades, família, campo, povos e comunidades tradicionais.
De acordo com o coordenador do evento, Danilo Moreira, as propostas, agora resumidas em 548, servirão de plataforma para a política nacional da juventude. A plenária final escolherá 21 prioridades.

“Ela [a resolução final que sairá do evento] terá uma força muito grande porque foi fruto de um debate intenso em várias etapas preparatórias e passará a ser um instrumento para a ação do Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), e dos governos federal, estaduais e municipais”, avaliou.

Além das conferências estaduais, ocorreram também conferências livres em presídios, aldeias indígenas, organizações desportivas e em unidades de internação de menores. “As propostas encaminhadas por essas conferências livres ajudaram muito na qualificação do material. Isso é um ganho enorme, esses jovens puderam debater e interferir nessas políticas”, disse o coordenador da conferência.

Ele acredita que as 21 prioridades podem servir de subsídio para programas eleitorais de candidatos das próximas eleições municipais e até mesmo reorientar alguma ação do governo federal que envolva a juventude. “As decisões podem inclusive pressionar positivamente votações na Câmara que dizem respeito à juventude e servirem como referência para os próprios movimentos juvenis se organizarem em torno dessas bandeiras ”, previu.

Para a vice-presidente do Conjuve e integrante da Organização Não-Governamental (ONG) Ação Educativa, Maria Virgínia Freitas, a conferência terá o papel de fazer um levantamento das demandas dos jovens. “O nosso principal é objetivo é justamente a priorização desse cojunto de propostas. Então veremos como o governo responderá a isso e, daqui a dois anos, vamos conferir o que foi feito”, explicou.


Jornal de Brasília Tropas colombianas são atacadas pelas Farc a partir de território equatoriano

Tropas colombianas foram atacadas a partir de território equatoriano com cilindros-bomba, que feriram um soldado, segundo denúncias de fontes militares em Bogotá e no departamento sulista de Putumayo.

O ataque teria sido feito por supostos rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e foi registrado na localidade equatoriana de Pueblo Nuevo em direção à região colombiana de Teteyé, segundo as fontes.

As tropas colombianas foram atacadas quando prestavam assistência a um grupo de engenheiros em atividades de prospecção petrolífera, em um ponto da selva do departamento (estado) de Putumayo, a cerca de 700 quilômetros ao sudoeste de Bogotá.

O general Mario Montoya, comandante do Exército colombiano, em Bogotá, e o também geral Octavio Ardila, da IV Divisão militar, de Putumayo, denunciaram a ação contra as tropas na zona de fronteira.

Os soldados atacados foram atingidos por vários dos cilindros-bomba, repletos de estilhaços e três dos artefatos que não explodiram ficaram em poder das tropas, observou o general Ardila.

Nessa região limítrofe com o Equador atuam guerrilheiros da frente 48 das Farc.

O general Montoya informou que a ação foi comunicada à Chancelaria, para que, por sua vez, seja transmitida às autoridades e às Forças Militares equatorianas.

"Esperamos que esta situação não continue. É delicado para tropas colombianas e para as companhias que exploram petróleo nessa região", disse o general Montoya.

Um informante, desmobilizado das Farc revelou hoje ao canal "RCN" de televisão, que essa guerrilha, "do Equador", planeja e lança ataques a tropas colombianas que se encontram perto da divisa entre os dois países

No dia 1º de março tropas colombianas realizaram uma incursão militar contra um acampamento das Farc em território equatoriano, situado a menos de dois quilômetros da fronteira, durante o qual morreram 26 pessoas, entre elas "Raúl Reyes", porta-voz internacional da organização.

Dois dias depois da operação, o presidente do Equador, Rafael Correa, rompeu relações diplomáticas com a Colômbia.



O Estado de São Paulo Austrália vai retirar 200 soldados do Timor-Leste
O país comanda a Força Internacional de Segurança, solicitada para sufocar a violência

SYDNEY - O primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, disse este fim de semana que a situação noTimor-Leste, após as tentativas de assassinato do presidente e do primeiro-ministro do país, José Ramos Horta e Xanana Gusmão, respectivamente, voltou à normalidade e anunciou a retirada de 200 soldados, para deixar ali uma tropa de 750 militares.

"O primeiro-ministro Gusmão me escreveu respaldando a decisão. Agradeceu à Austrália sua assistência após os ataques", detalhou o trabalhista Rudd.

O dirigente australiano reiterou o compromisso de seu país com o Governo timorense e com a ONU para ajudar a jovem nação a manter a segurança e a enfrentar outros desafios.

A Austrália comanda a Força Internacional de Segurança, na qual participam Malásia, Nova Zelândia e Portugal, que o Timor-Leste solicitou em maio de 2006 para sufocar a espiral de violência que ameaçava desembocar em uma guerra civil.

Desde então, a força internacional permanece no país e a ONU retornou a essa antigo colônia portuguesa para ajudar as autoridades Nacionais.


O Estado de São Paulo Separatistas tâmeis atacam instalações militares cingalesas
O bombardeio tâmil segue a outro lançado no sábado pelo Exército contra posições de artilharia da guerrilha

NOVA DÉLHI - Os rebeldes separatistas tâmeis lançaram esta madrugada um ataque aéreo contra instalações do Exército do Sri Lanka, informou neste domingo uma fonte militar, que disse que o bombardeio não causou nenhum dano.

A aviação tâmil lançou três bombas contra posições do Exército em Welioya, no nordeste da ilha, "sem causar dano ao Exército", assegurou o Ministério da Defesa em comunicado.
A site "Tamilnet" informou que esta é a segunda vez desde outubro de 2007 em que os rebeldes lançam um ataque combinado por terra e ar contra o Exército cingalês.

O bombardeio tâmil segue a outro lançado no sábado pelo Exército contra posições de artilharia da guerrilha também em Welioya, em uma semana que registrou fortes combates no norte do país nos quais morreram uma centena de rebeldes tâmeis e 43 soldados, segundo a Defesa, que também informou do desaparecimento de 33 militares.

Outros 64 civis faleceram na explosão de uma bomba em um ônibus da cidade de Piliyandala, cerca de 15 quilômetros ao sul de Colombo, capital do país, em um atentado pelo qual oito pessoas foram interrogadas, segundo a Polícia.


O Estado de São Paulo O site dos EUA que sentiu o terremoto de SP
Segundos após o tremor, agência USGS já trazia informações sobre intensidade e epicentro
Célia Almudena

Enquanto milhares de paulistanos se assustavam na terça-feira com o terremoto de 5,2 graus na escala Richter, cientistas da Sociedade Geológica dos Estados Unidos (USGS, sigla em inglês) já reuniam informações sobre o evento. Qualquer catástrofe natural que aconteça no local mais remoto do planeta é logo destrinchada no site da entidade para internautas leigos. E, não por acaso, a USGS é chamada de "agência do fim do mundo".

O terremoto que atingiu quatro Estados brasileiros na semana passada acendeu a luz vermelha. A falta de informações fermentou a sensação de agonia. Não para algumas centenas de internautas, que logo desembocaram no site www.usgs.gov. Lá, segundos após o evento, já havia informações sobre intensidade, localização do epicentro (a 218 km de São Vicente) e profundidade do terremoto.

O pior terremoto do País nos últimos anos mostrou que não estamos preparados para desastres naturais. No dia seguinte ao abalo, uma reunião em Brasília discutiu a criação de uma rede nacional sismográfica. O chefe do Departamento de Sismologia da Universidade de Brasília (UnB), Lucas Barros, apresentou aos assessores do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência o projeto de uma rede de 40 estações de monitoramento. "Hoje, é difícil registrar os sismos pequenos. As estações que existem estão distribuídas de maneira disforme e os instrumentos, ultrapassados", explicou Barros.

A USGS não enfrenta essa dificuldade. Uma das muitas entidades vinculadas à Agência Federal para o Gerenciamento de Emergências (Fema) do governo americano, ela foi fundada em 1879. É uma agência científica que estuda paisagens e territórios, principalmente dos Estados Unidos. Sua abordagem multidisciplinar reúne biologia, geografia, geologia, além de informações geoespaciais e oceanográficas.

A USGS acredita que a ciência é a melhor forma de manter a população preparada para adversidades, além de sustentar a economia, a segurança nacional, a qualidade de vida e o meio ambiente. Assim, seu site traz em linguagem simplificada tópicos científicos de importância, como análises geoespaciais e recursos naturais, sem esquecer de temas atuais, como aquecimento global e queimadas. Além de registros históricos muito interessantes. Com alguns cliques, o internauta que domina o inglês descobre que o terremoto mais mortífero registrado no mundo aconteceu em 23 de janeiro de 1556, na China. Com cerca de 8 graus na escala Richter (num máximo de 9), deixou 830 mil mortos.

GRÁFICOS
Também é possível entender, por meio de gráficos didáticos, como o terremoto de 26 de dezembro de 2004 em Sumatra deu origem ao tsunami que afetou 14 países no sul da Ásia e leste da África. Ou navegar para páginas de parceiros, como o Instituto Smithsonian, e encontrar fotos e informações dos terremotos históricos desde 1900.

A importância de acompanhar as mudanças climáticas ganha espaço por causa do aquecimento global. Recentemente, a ONU alertou que prejuízos causados por condições extremas do clima podem ultrapassar US$ 1 trilhão em um único ano até 2040
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